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Claudio Seto


Você já leu um mangá? Para quem não sabe, esse é o nome dado às histórias em quadrinhos japonesas. Elas têm características marcantes, como o realce das expressões faciais, as narrativas bastante elaboradas e, em alguns casos, a ausência de diálogos, enfatizando a carga emocional das cenas.

Os mangás são o tema desta entrevista interativa com Claudio Seto, que é nada menos que o primeiro mangaká (desenhista de mangás) do Brasil, publicando desde os anos 60. Saiba mais sobre essa manifestação de cultura pop japonesa que virou mania no mundo todo!

 

Como e quando foi o seu primeiro contato com os mangás?

Leio mangá desde criança. Minha família assinava mangás vindos do Japão. Meus irmãos mais velhos liam também, assinávamos uma revista chamada Shonen Kurabo, que, em português, quer dizer “Clube Juvenil”. Essa revista existe até hoje.

Qual foi o primeiro mangá que você desenhou, e em que você se inspirou para fazê-lo?

Fiz muitos mangás como amador, mas o primeiro publicado foi para um jornal das lojas Arapuã, na cidade de Lins, São Paulo, na década de 60. Esse jornal tinha uma seção semanal de quadrinhos, e eu fazia a tira do Beto Sonhador. Desenhei essa tira por mais ou menos dois anos e utilizei esse personagem algumas vezes depois na minha obra.

Na sua opinião, quais são os melhores mangás da atualidade?

Não tenho acompanhado. Eu leio mangás do tempo em que eu desenhava. Faz tempo que não vejo o que há de novo... Já vi o Naruto, por exemplo, mas nunca comprei uma revista dele.

E entre os mangás mais tradicionais, qual é o seu favorito?

Eu gosto do Lobo Solitário, que segue um estilo chamado de Guekigá, ou seja, é um mangá “para damas”. Tem temas mais femininos, mas com histórias e desenhos mais elaborados, mais adultos. Existe inclusive uma série para a televisão do Lobo Solitário, que passava no Brasil na década de 80.

E dos mangás que você mesmo fez, qual é o seu favorito?

Gosto do Samurai, uma revista que editei durante muito tempo, que tinha histórias avulsas. Gostava muito dele.

Na sua opinião, qual é a principal diferença entre os mangás e os quadrinhos de influência ocidental?

O mangá segue um estilo mais cinematográfico, os desenhos são mais seqüenciais e quase não há balões. Nos quadrinhos ocidentais, as cenas são “recortadas”, os personagens aparecem como se estivessem posando para uma foto. Eu comparo o mangá a um filme, e o quadrinho ocidental a fotonovelas. Nos ocidentais, a narrativa é mais verbal e, nos mangás, acontece por meio de imagens. Acho que isso de o mangá possuir menos palavras tem mesmo a ver com o fato de ser feito por japoneses, porque japonês fala menos, não é mesmo?

Entre os quadrinhos ocidentais, você tem um favorito?

Eu gosto muito do Fantasma e do Batman.

O que você acha essencial para um mangaká na hora de fazer sua obra?

Primeiro, persistência, porque nos mangás, as histórias geralmente são compridas. Segundo, bastante imaginação para poder desenvolver bem as histórias. O autor de mangá às vezes também acaba colocando alguma característica dele no personagem.

Qual é o mangaká japonês que mais influencia o traço dos desenhistas brasileiros?

Osamu Tezuka, que é um dos pioneiros do mangá, influenciou muito tanto os desenhistas japoneses quanto os brasileiros.

Você acha que o mangá pode ser usado com finalidade pedagógica nas escolas? De que forma?

Pode. Existe mangá de tudo. Há os de pesca, por exemplo, que criam uma aventura para poder ensinar o leitor a colocar a minhoca no anzol. Há mangás de tênis, beisebol, futebol. No Japão existe um livro chamado Livro Branco, que fala sobre planejamento financeiro para a população. A cada cinco anos, além de publicar um livro tradicional, com as instruções em forma de texto, o governo lança um mangá com uma história sobre esse tema. Outro tipo de mangá educativo também muito popular é o de culinária: é como uma “novela que ensina a cozinhar”.

Você continua desenhando mangás? Pode falar sobre seus projetos mais recentes e os próximos?

Faz tempo que não publico mangás. O último foi um projeto que fiz para a Prefeitura de Curitiba, chamado Curitiba em Quadrinhos. Foi lançado em 1993, para comemorar os 300 anos da cidade. Atualmente, faço ilustrações para o jornal nipo-brasileiro Lendas.



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