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Sandy e Júnior

"A gente gosta muito desse carinho que recebemos do público, essa atenção toda, o nosso sucesso crescendo cada vez mais e tal... Eu acho que muitas pessoas seguem a gente como exemplo."

 

Sandy Leah Lima, 18, e Durval de Lima Júnior, 17, são paulistas de Campinas. Eles formam a dupla Sandy e Júnior, que, em pouco mais de uma década, lançou 11 discos. Atuam também na série Sandy e Júnior e na novela Estrela Guia, ambas da Rede Globo.a.





 

Cinco minutos com Sandy e Júnior

abril, 2001

Jovens-prodígio ou fenômeno de consumo? Independente de como você os veja, é praticamente impossível que Sandy e Júnior passem despercebidos. Tão longe, tão perto. Eles estão em todos os lugares: no rádio, na TV e nas revistas. Quanto mais compromissos, menos tempo têm para comentar o sucesso e os planos para o futuro.

Você sintoniza a FM e os ouve na parada de sucessos. Liga a TV e os vê contracenando em horário nobre. Ao contrário dos demais atores de novela, eles estão na telinha até aos domingos, na série batizada com o mesmo nome da dupla. Pausa para o comercial e novamente você esbarra com eles, dessa vez promovendo uma loja ou uma marca de ovos de Páscoa. Folheia revistas e lê que seus discos estão entre os mais vendidos. Com tamanho sucesso, há tempos deixaram de ser "os filhos do Xororó" para se tornarem um fenômeno artístico.

Surgida no rastro da música sertaneja que arrebatou o país no início dos anos 90, a mania Sandy e Júnior atravessou ilesa a última década e continua a movimentar milhões. Desde a primeira aparição na TV, em 1989, como convidados do programa Som Brasil para cantar a música Maria Chiquinha, eles já lançaram 11 discos e ultrapassaram a marca dos 10 milhões de discos vendidos. O contrato com a Universal prevê o lançamento de quatro novos discos em dois anos!

No início, os dois se pareciam com tantos outros garotos-prodígio, adorados na infância e depois esquecidos. Hoje, lembram mais veteranos que atingiram um patamar de onde não caem mais. Cada novo disco, ou programa de TV, contraria quem acredita que essa moda está para acabar. Com o declínio sertanejo, a dupla passou a fazer versões de músicas que estouraram no exterior, de Céline Dion ao guitarrista Santana. Mas o estrondoso sucesso tem motivos que extrapolam a partitura e as sete notas musicais.

As ingênuas canções de amor e a propalada virgindade de Sandy parecem uma ilha no oceano de letras apelativas. A postura e dedicação profissionais assemelham-se a um oásis no deserto da rebeldia (sem causa) dos jovens. Quando Sandy recusa a idéia de seguir carreira-solo, é como se fizesse uma apologia à união da família. Tudo isso ajuda a assegurar o aval dos adultos para que as crianças levem sua idolatria adiante.

Mas esse "modelo de perfeição" também atiça a desconfiança dos críticos. Durante o Rock in Rio, a dupla precisou se defender das acusações de que tinha se apresentado com playback, em vez de cantar ao vivo. No início das gravações de Estrela Guia, a acusação era de que, em cenas de amor ou ação, Sandy seria substituída por dublês.

Na entrevista coletiva concedida pela dupla em Curitiba, nos camarins da turnê do disco Quatro Estações ao Vivo, cada repórter só pôde fazer uma pergunta. Mal deu para falar dos planos de seguir carreira internacional, dos dois discos que gravam até o final do ano e do que estão achando dos seus personagens na novela. A seguir, você não ouvirá falar das polêmicas do parágrafo anterior. Não deu tempo. O show tinha que continuar.


Vocês têm alguma coisa em comum com seus personagens na novela? Vocês vêem alguma semelhança?
Sandy - A Cristal tem outra personalidade. Não sou eu, mas tem muita coisa a ver, com certeza. Ela é uma menina muito determinada, muito forte, muito íntegra, muito ingênua e muito pura de coração. O que eu tenho a ver com ela talvez seja essa determinação, um pouco dessa força dela. Eu acho que tenho um pouquinho disso.
Júnior - Bom, meu personagem é o Zeca, um malabarista. Ele é um menino muito pobre que fugiu de casa e trabalha no semáforo para ganhar algum dinheiro. A minha semelhança com ele é essa ligação com a arte, porque ele faz malabarismo. É um clown, na verdade, que pinta o rosto, dança e dá uns saltos ao mesmo tempo. É algo que tem muito a ver com o corpo.

Você se preocupa em cuidar do corpo, em fazer musculação, é isso?
Júnior - Eu não tenho tempo de malhar, mas pretendo começar agora.

A Cristal, por outro lado, é muito mística. É verdade que você tem usado os mantras dela para encontrar o equilíbrio em sua carreira?
Sandy - Eu gosto muito de mantras. Estou gostando muito de cantá-los, de ter que aprendê-los para cantar na novela, mas infelizmente não é sempre que tenho tempo. Mas eu gosto muito de cantar mantras e, quando posso, eu ponho algum para relaxar.

Com a participação de vocês na novela, só se reforça a sua posição de ídolos. Como vocês vêem o fato de muitos meninos e meninas estarem se espelhando no que vocês fazem?
Júnior - A gente gosta muito desse carinho que recebemos do público, essa atenção toda, o nosso sucesso crescendo cada vez mais e tal... Eu acho que muitas pessoas seguem a gente como exemplo.
Sandy - É muito bom, é o que recompensa, o que retribui todo o nosso esforço, todo o nosso trabalho, tudo o que a gente faz. Quando a gente vê a carinha do público aplaudindo a gente, cantando junto, é maravilhoso...

E vocês não sentem o peso, a responsabilidade por estarem servindo de modelo para tantos jovens?
Júnior - A gente não faz nada de propósito. Ninguém fala "façam como nós" ou coisa assim. Estamos lá do jeito que somos. A gente não vê isso como um peso. Lógico que isso pesa um pouquinho, mas não ficamos pensando: "Ai, meu Deus, como é que eu vou fazer." A gente age naturalmente.
Sandy - Como ele já disse, não é uma coisa que a gente criou de propósito, só para fazer marketing. Se vemos que está dando certo, que as pessoas estão elogiando, gostando e seguindo os nossos passos, ficamos muito felizes. Para mim, é um orgulho, uma felicidade saber que estou passando um bom exemplo para as pessoas, mesmo não tendo feito de propósito o que fiz para chegar aonde estou hoje.

Como está sendo a experiência de trabalhar em uma novela? É muito diferente da série que vocês já gravavam? Não dá muito trabalho fazer tudo isso ao mesmo tempo?
Júnior - Eu estou muito feliz com isso. É um lance muito diferente, muito gostoso. É uma experiência nova que a gente está adquirindo. Envolve muito trabalho, entrar em um personagem... Você acaba criando uma vida e, no momento que está representando, vive aquilo e procura agir como aquele personagem agiria. É uma vida que você leva paralelamente à sua. É uma outra vida dentro de você. É muito legal, muito bom.
Sandy - Graças a Deus, está dando para dar conta de tudo. É complicado, cansativo, às vezes, porque é muito trabalho. É muita coisa para organizar a nossa vida e a nossa cabeça. A nossa rotina vira uma loucura, mas tudo vale muito a pena. Eu estou adorando muito essa nova empreitada, essa carreira de atriz de novela com uma personagem diferente de mim.

Vocês vão contracenar na novela?
Júnior - Até agora, eu gravei só uma cena contracenando com a Sandy e foi bem legal. Eu gravei dois dias, seis cenas no primeiro dia e quinze no segundo. É muita correria. A diferença é que é outro personagem. Não sou eu, é o Zeca. Você tem que emprestar seu corpo para uma vida que não é a sua, cria um passado para aquele personagem, cria tudo, até o jeito de andar. Você acaba mudando e, quando percebe, é outra pessoa. É muito legal. A gravação é mais rápida e o estúdio é mais preparado. A gente grava o programa em Campinas, num colégio. Então, às vezes, tem um problema de áudio, não tem a estrutura de um estúdio...
Sandy - É mais divertido fazer o programa, mas, em termos de estrutura, é mais fácil gravar a novela...

Vocês pensam em se dedicar mais à carreira de atores e dedicar menos tempo à música?
Sandy - As pessoas perguntam se queremos seguir a carreira de atriz, de ator, e a gente fala que sim, mas só se der para conciliar com a carreira musical, que é prioritária na nossa vida.
A gente fez o primeiro show do ano em Porto Alegre, e esse aqui em Curitiba é o segundo. Estamos muito felizes de voltar, porque estávamos morrendo de saudades. A gente adora o público daqui de Curitiba e do Sul do Brasil em geral. Achamos o máximo trazer o show para cá e estamos muito felizes, estamos gostando muito de estar aqui mais uma vez.

Vocês têm idéia de como vai ser o repertório da carreira internacional que será lançada no início do ano que vem? Haverá possibilidade de incluir músicas de influência brasileira, da MPB, ou a referência continua sendo a música pop?
Sandy - Vamos lançar dois CDs, um nacional e um internacional, e gravá-los em julho. Vamos lançar o nacional em setembro aqui no Brasil, e o internacional, só no começo de 2002. E a referência vai ser o que a gente curte. O nosso estilo de música é o pop, e queremos levar esse nosso estilo para a carreira internacional também.
Júnior - É o estilo Sandy e Júnior!

Nesses CDs, vocês planejam participações especiais de outros cantores?
Não, participações, não.

E haverá músicas compostas por vocês?
Para o próximo CD em inglês, já existe uma música nossa, que talvez entre. A gente não tem certeza. E para o CD em português, há pelo menos duas músicas nossas, que achamos que vão entrar. Nós compomos juntos.

Uma dessas músicas seria o bônus do CD Quatro Estações ao Vivo?
Sim, essa música em inglês é a que está de bônus em Quatro Estações ao Vivo, numa versão em português. Como originalmente ela foi feita em inglês, acho que a gente vai gravá-la de novo.

Em que países os CDs vão ser distribuídos?
Sandy - O lançamento vai ser na Inglaterra. A sede mundial da gravadora, a Universal, é em Londres. Então eles querem que o lançamento seja feito primeiramente lá, mas depois a gente volta para o lançamento em toda a América Latina e no Brasil também.

Com tantos compromissos - show, novela, seriado e carreira internacional - dá tempo de pensar em vestibular?
Júnior - A Sandy já fez, passou em décimo lugar para...
Sandy - Em psicologia.
Júnior - Eu vou fazer vestibular no fim deste ano para música.

E em cinema?
Sandy - Cinema é uma coisa que a gente quer muito fazer. É um projeto que estamos guardando na gaveta, por enquanto, mas que estamos morrendo de vontade de fazer. Então, num futuro que a gente espera que não esteja tão distante, vamos pensar nisso, sim.


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Vitor Casimiro
Exclusivo para o Educacional

 


         
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